sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A eleição (aclamção) e os bastidores dela no CRB

Excelente texto extraído do blog do meu amigo jornalista Alberto Oliveira, sobre os bastidores da eleição/aclamação do presidente do CRB.
Como falou o meu amigo e também jornalista Wellington Santos, em seu blog, o jornalismo verdadeiro saiu ganhando com esse texto.
Palavras do Wellington sobre o texto do Alberto: "Sem atacar e nem bajular ninguém - como deve ser o bom jornalismo – o trabalho da boa apuração foi notadamente expresso nas linhas escritas pelo jornalista Alberto Oliveira."

Vejam na íntegra o texto de Alberto Oliveira, que tem o seguinte título:

"Processo eleitoral do CRB foi cercado de bastidores nebulosos"

Por Alberto Oliveira


Marcos Barbosa foi aclamado presidente do CRB em uma cerimônia que durou sete minutos. Ela foi declara aberta às 20h02 e foi finalizada às 20h09. Para quem acha que a construção da chegada de Barbosa a presidência foi tranqüila, está enganado.
Os bastidores do processo eleitoral foi cercado de pressões, acusações, ameaças e um ambiente inesperado para uma eleição de um clube.
Cícero Santana chegou a sede da FAF e sequer pode inscrever sua chapa. Alguns entenderam que Santana perdeu o prazo regulamentar para inscrição de chapa, mas outros conselheiros intitulam como uma manobra de bastidores para que sequer, Santana pudesse colocar seu nome a disposição dos conselheiros.
A estrutura montada na FAF para a eleição sequer dispunha de uma urna para votação.
Kenedy Calheiros, presidente do conselho deliberativo, chegou a sede da FAF logo cedo. Por volta das 17h40, o presidente já estava no recinto. Ao seu lado, estava Roberto Fernandes, que secretariava a reunião. A primeira convocação aconteceu ás 18h e foi fechada às 18h20. Neste instante, Roberto Fernandes já interpretava que a eleição estava decidida. “O prazo foi encerrado para inscrição e só temos a chapa do Marcos Barbosa. Eu vou propor que mesmo com o prazo encerrado, nós possamos aceitar a chapa do Cícero Santana, pois acho que a eleição deve ser no voto”, afirmou Barbosa a reportagem do portal esportealagoano.
O presidente do conselho também não acreditava em uma eleição e sim na aclamação. Existia no “ar” uma idéia de impugnação da candidatura de Santana e existiam conselheiros propensos a argüir a impossibilidade dele em ser candidato, assim que o processo fosse iniciado. Os dois principais argumentos a serem utilizados eram de conhecimento de todos. O primeiro deles seria que Santana não seria conselheiro. Em uma entrevista na Rádio Gazeta, Santana apresentou documentos que comprovavam que nos últimos doze meses, ele contribuía com R$ 100 mensais e que o boleto, emitido pelo conselho do CRB, estampava o nome “contribuição de conselheiro”. Portanto este argumento seria infundado na visão do próprio Santana.
O outro argumento a ser levantado seria que Santana não poderia ser candidato em função de possuir participação em percentuais econômicos de jogadores. O documento que define percentuais sobre jogadores existe e estrategicamente foi liberado para imprensa na semana da eleição. Este assunto foi requentado pois na saída de Santana da diretoria do CRB, no 1º semestre deste ano, ele já havia revelado este assunto e neste mesmo período, Kenedy Calheiros já havia informado que rejeitaria o documento, portanto, sem aprovação do conselho, o negócio não teria validade.
Ás vésperas do processo, os ânimos recrudesceram e Cícero Santana informou que estava “ferido” pela forma como foi conduzido, disse não acreditar na participação do deputado Marcos Barbosa, nas baixarias existentes nos últimos dias, mas afirmou que pessoas ligadas a Barbosa jogaram sujo contra ele, contra sua vida pessoal e contra conselheiros que mostravam estar do lado de Barbosa.
Um conselheiro foi ameaçado de perder contratos existentes no Governo do Estado, se permanecesse com Santana. Outro conselheiro preferiu não comparecer a reunião para não se indispor com o grupo de Barbosa, mas já havia declarado apoio a Santana e pulou fora.
Santana também afirmou que sofreu pressões para renunciar, que invadiram sua vida particular e até mesmo ameaças a sua família foram feitas. A um interlocutor, Santana revelou que até comentários sobre a hora em que ele chegava a sua empresa, o itinerário que fazia para levar filhos ao colégio foi tocado.”Estou com nojo de tudo isso. Não quero ser mais presidente do CRB. Não pensei que as coisas fossem tão sujas deste jeito”, declarou o candidato.
O juiz de direito, Sostenes Andrade, que havia declarado apoio a Cícero Santana, chegou a tentar inscrever a chapa de Santana, mas segundo seu relato, foi “atrapalhado” por uma conversa com Gustavo Feijó, presidente da FAF e conselheiro do CRB e também ao chegar na FAF ouviu do próprio Santana que não tinha intenção em ser presidente do CRB. “Conversei sobre a saída do Kenedy Calheiros da presidência como fator para apoiar o Marcos Barbosa. Só fico no conselho se o Kenedy sair. E estava conversando, quando olhei para o relógio era 20h05, mas subi e ao chegar a sala, a eleição estava encerrada. Não pude sequer inscrever a chapa”, disse.
Santana também declarou em entrevista na Rádio Gazeta, que o CRB teria perdido um projeto e um colaborador e que em função dos bastidores estaria se afastando do clube.
Em seu discurso de agradecimento, o novo presidente do CRB, Marcos Barbosa foi enfático ao dizer que não aceitaria que pessoas firmassem contratos com empresa interessadas em negociar jogadores usando o CRB. No entanto, as primeiras contratações anunciadas são de jogadores ligados a empresa AM Assessoria Esportiva, pertencente ao empresário Alex Fabiano, que tem ajudado a montar o elenco do CRB.
Acostumado a processo políticos, Marcos Barbosa atropelou a candidatura de Santana e mobilizou em seu favor um número imenso de conselheiros tradicionais. Até poucos instantes antes do fechamento do processo haviam 88 assinaturas constatando um quantidade significativa, mas que mesmo assim, correspondia a somente 50% do conselho do CRB. No inicio do processo, Kenedy Calheiros informou que 170 conselheiros estavam aptos a votar. Entre as personalidades estiveram presentes: Divaldo Suruagy (ex-governador de Alagoas), Fernando Gama (ex-reitor da UFAL), Cícero Amélio (deputado estadual), Arnaldo Fontan(ex-vereador), João Neto (ex-deputado), Alberto Sextafeira(deputado estadual), entre outros. Barbosa mostrou poder de mobilização em torno do seu nome e em muitos casos, fez contatos pessoais com os conselheiros e até mesmo pessoas que não eram conselheiros foram convidados a comparecer para votar.
Na saída, Roberto Fernandes, Kenedy Calheiros e Marcos Barbosa deixaram a sede da FAF juntos, cercados por dois seguranças. No lado de fora, alguns poucos torcedores aguardavam. Outros estavam ao lado do presidente eleito. Eles foram recebidos por uma bandinha que chegou a tocar “parabéns pra você” enquanto fogos eram explodidos nas proximidades. O grupo seguiu para comemorar a eleição do Beer CRB. Alguns torcedores ainda ensaiaram alguns xingamentos, mas foram abafados pelos fogos e pelo volume de pessoas que cercavam o novo presidente.
O CRB viveu mais um dia com interpretações diferentes. Para alguns, um dia de demonstração de força, união e que o clube passa a ter um rumo. Para outros, um dia nebuloso, com bastidores pesados e que não tinham conexão para simplesmente eleger um presidente de um dos grandes clubes de futebol do Estado. Em sete minutos, Marcos Barbosa foi eleito presidente, mas apenas o tempo irá dizer se o CRB ganhou algo com todo o processo que indicou o presidente que irá comandar o clube no biênio do centenário regatiano.

Um comentário:

Luciano Arthur Paffer Padilha disse...

Se o candidato deputado taturana chegou a nesse nível pra ser eleito presidente do galo, imagina o que ele não está planejando fazer lá dentro pra querer essa presidência a qualquer custo. Se for verdadeira mesmo a notícia, não me espanta nem um pouco. O CRB é litaralmente um caso de polícia.